The pursuit of happiness.
Essa coisa de que o tempo nos molda e nos traz a serenidade dos anos que correm não passa de uma valente treta. O tempo, quanto muito, refina-nos. Aperfeiçoa o que somos e o que trazemos em nós. A perfídia e a barbárie não desaparecem, os ímpetos e os tumultos não soçobram e a instabilidade marcada no código genético não esmorece. Tal como a ânsia e o desassossego. Tal como o amor desmedido, o medo desmedido, a agitação desmedida. O estar e o partir, o querer tudo e o rejeitar em absoluto. A felicidade desmesurada e a agonia excessiva. Assim, numa fracção de segundos. O tempo não molda ninguém. Muito menos quem nasce com uma bomba relógio dentro do peito.
Insuportável não é que tenhas dúvidas ou inseguranças. Todos temos. Insuportável é que os teus fantasmas se projectem em mim de uma forma tão violenta e recorrente e que a minha palavra não te baste. Até porque essa coisa de nos porem em causa por algo que nunca fizemos, nunca sequer pensámos, sem qualquer fundamento, sem razão aparente, sem motivo algum, tem sempre o efeito perverso do despeito e do enxovalho.
Das cicatrizes do meu chão antigo.
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