The pursuit of happiness.

Em 2012 aprendi que posso viver sem água, sem luz, sem Internet, sem rede telefónica, sem televisão, sem comer carne de vaca, carne de porco, fiambre, peixe, bolinhos, salgados, pizzas e afins, que o mundo não acaba nem eu morro por causa disso. Aprendi que as pessoas têm uma capacidade de adaptação na adversidade que muitas vezes nem sabem. Que a cada momento somos capazes de nos superar e surpreender. Que, num ano e meio, dois pares de calças e cinco t-shirts servem perfeitamente. Que a Terra é um lugar imenso e que vale a pena ousar, sonhar, ir mais longe e determinarmo-nos por aquilo em que acreditamos. Aprendi que a saudade é das coisas mais difíceis de gerir e que a distância nos dá a exacta percepção de quem é quem na nossa vida. Em 2012 segurei na mão de Deus e confiei. Nele e em mim. Não me arrependi.
Tive um mestre na minha vida, entendes. O melhor se queres saber. Por isso sobre distanciamentos auto-impostos e frieza no trato não me vens ensinar nada, rigorosamente nada, que eu não saiba de cor desde os sete anos de idade. Quanto muito só conseguirás voltar a amarfanhar-me por dentro.
Essa coisa de que o tempo nos molda e nos traz a serenidade dos anos que correm não passa de uma valente treta. O tempo, quanto muito, refina-nos. Aperfeiçoa o que somos e o que trazemos em nós. A perfídia e a barbárie não desaparecem, os ímpetos e os tumultos não soçobram e a instabilidade marcada no código genético não esmorece. Tal como a ânsia e o desassossego. Tal como o amor desmedido, o medo desmedido, a agitação desmedida. O estar e o partir, o querer tudo e o rejeitar em absoluto. A felicidade desmesurada e a agonia excessiva. Assim, numa fracção de segundos. O tempo não molda ninguém. Muito menos quem nasce com uma bomba relógio dentro do peito.

Insuportável não é que tenhas dúvidas ou inseguranças. Todos temos. Insuportável é que os teus fantasmas se projectem em mim de uma forma tão violenta e recorrente e que a minha palavra não te baste. Até porque essa coisa de nos porem em causa por algo que nunca fizemos, nunca sequer  pensámos, sem qualquer fundamento, sem razão aparente, sem motivo algum, tem sempre o efeito perverso do despeito e do enxovalho.
Um ano e meio de Sudeste Asiático terminou aqui. Quem sabe um dia talvez  consiga voltar. 

Das cicatrizes do meu chão antigo.

No dia em que nasci já trazia em mim todos os pecados do mundo. Ninguém nasce puro, é sabido e o caminho da redenção é tortuoso. Sempre. Vaidade, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e acídia. Está cá tudo.