Time to move forward.

I. Os constrangimentos dos outros são os constrangimentos dos outros. Não são os meus. Consequentemente, eu não tenho que [nem aceito] ser alvo dos mesmos nem tão pouco sofrer com os danos colaterais de problemas cuja resolução não ata nem desata.

II. Não raras vezes as pessoas aceitam e sujeitam-se, em nome de algo que [erroneamente] consideram maior, a um trato menor. Pois bem. Dizer apenas que já tive a minha dose. Been there, done that. Jurei para nunca mais.

III. Eu não sou, nunca fui, uma mulher de meio termos. Meias presenças, meios afectos, meio isto, meio aquilo. Não gosto de metades em nada na vida. E também não gosto de me repetir. As conversas são importantes, sim. Ajudam a clarificar e a esclarecer pontos de vista, sentimentos, dúvidas e caminhos. Agora, quando repetidas até à exaustão mais não são do que o sintoma de duas coisas: a indiferença do receptor e a persistência cega do emissor.

The night can be a dreadful time for lonely people.

Houve um tempo em que me olhei ao espelho e, confesso, não me reconheci. Vinha cansada de tanto destrate e estava disforme. Olhei de novo e não me reconheci. Nesse dia, assegurei-me de que nunca mais, em toda a minha vida, me contentaria com as sobras fosse lá do que fosse. Por isso, bem vês, o problema não és tu. Sou eu.

De repente deu-me para ser esquisita e torcer o nariz a restos. Não quero, não gosto, já comi que chegue e cansei-me de esperar pacientemente junto à porta dos fundos que me convidasses para entrar e sentar. Bem vês. O problema não és tu, sou eu. Sou eu quem hoje já não tolera faltas de respeito, esperas sem fim à vista e não aceita menos do que o melhor que a vida tem para lhe dar. Bem vês, o problema não és tu, sou eu.

O tempo tornou-me exigente. E ensinou-me a partir. Assim, sem mais. Com a convicção de que aquilo que sentimos não justifica [não pode justificar] a forma como somos tratados. Hoje sei que nunca mais ninguém voltará a arrancar-me a pele ou a fazer-me mal, só porque sim. Por isso, bem vês, o problema não és tu, sou eu. Sou eu quem, mesmo correndo o risco de se perder por aí, já não sabe viver de afectos pela metade.
Morreste-me há treze anos e eu sinto falta do teu cheiro e das tuas mãos no meu cabelo todos os dias. Da forma como me chamando de “minha neta” me fazias sentir a pessoa mais amada e importante do mundo inteiro. Ainda hoje precisei tanto de ti. 
Room 228. Abba Berlin Hotel. Lietzenburger Str. 89.

Há um tempo na nossa vida em que, de uma forma mais ou menos esporádica, damos azo àquela velha tendência de querer que os outros e as circunstâncias mudem, pelo simples facto de considerarmos que a razão está do nosso lado. E, depois, tempos há em que concluímos que afinal ter a dita razão, por si só, acrescenta muito pouco aos nossos dias. E é nessa altura que desistimos de nos queixar do vento, de esperar que este mude e decidimos tão somente ajustar as velas.
Na gestão dos equilíbrios que, vá-se lá compreender porquê, ainda sentes que tens de fazer, eu sou, sempre fui, o elo mais descartável. Digas tu o que disseres.
Grata por lá ter estado. Muito. 

"17 de Março de 2012. São 6 horas da manhã. Ainda há pouco cheguei a casa e já estou de saída. Por aqui misturam-se os dias com as noites, o cansaço é tremendo, o ritmo alucinante mas estou a adorar cada segundo. Hoje milhares de timorenses são chamados às urnas e o mais incrível no meio disto é que eu estou aqui para ver. Experiência incrível, minha gente, incrível. Vamos lá Timor. Tem tudo para dar certo."
Dizes, muito de vez em quando e de uma forma quase convicta, que gostas de mim quando na realidade não fazes ideia do que isso seja. Senão repara, em rigor nós só podemos gostar de quem verdadeiramente conhecemos e, francamente, tu nunca te deste a esse trabalho. Até podia dar-se o caso de eu ser uma daquelas mulheres cheia de caprichos, exigências, expectativas, extraordinariamente complexa, seja lá o que isso for e sabe Deus que mais. Mas não. Conhecer-me requer apenas ouvir-me. Simples. Até porque via de regra digo o que penso, o que quero, do que gosto, essas coisas. Por isso bem vês, estranhamente se ama quem não se ouve pela simples razão de que não se conhece. Tu não sabes o que penso nem o que quero nem do que gosto. Lamento.
Eu lido bem com as imperfeições. Pelo menos com as minhas lido bem. Sei quem sou e de onde venho e isso basta-me. Agora, só tu para semeares em mim tamanho desconforto, tamanha insegurança. Só eu para nisso consentir.