Gosto tanto quando te lembras de mim. Assim do nada, sem motivo algum ou razão aparente. Só porque sim. Porque te apetecia ver-me só mais um bocadinho, mais uma vez. Gosto tanto quando te lembras de mim, me aconchegas no teu peito e dizes que sou importante. E te importas comigo para logo de seguida me beijares a testa repetidamente. Esta cumplicidade que temos, o teu corpo nas palmas das minhas mãos, a ternura quando me afastas o cabelo da cara. Os pequenos gestos. O almoço na pizzaria do bairro. Podias não ter atravessado meia cidade. Fizeste questão de passar por aqui. Gosto tanto quando te lembras de mim. 
Eu poderia ser um pouco mais normal. Um pouco menos ansiosa. Ter uma mente um pouco menos hiperactiva. Aprender a esperar um pouco mais. Contentar-me aos poucos com o que a vida me dá. Mas não. Essa coisa do pouco mexe-me com os nervos. O vai-se andando, o menos mal. Que neura. Que falta de pachorra. Eu sou pelos desafios, pelo fascínio do improvável, pelo impossível, qual roleta russa, em jeito de vai ou racha, é agora ou nunca. E isto tem dias em que cansa. Outros em que dá uma adrenalina tremenda. Eu poderia ser um pouco mais normal.

I'm in the dark here.

Não sou pessoa que inveje os demais. As lutas que travo são tão minhas, tão comigo, tão desgastantes, que objectivamente raras são as vezes que olho para o lado. Quanto muito gostaria, muito de vez em quando, de ter tido as oportunidades que outros tiveram. E é só isso que me mói. Estou farta de parir a vida a ferros. Farta.